domingo, 25 de janeiro de 2009

Que nojo, garotoooooo!!!!!!!


Hoje, mais do que desejar, eu necessito relatar o que me aconteceu ontem à noite. Bom, depois de um furo do namorado, simplesmente porque ele estava com preguiça, resolvi ir à boate com minha amiga. Vestimos nossos vestidos mais bonitos, fizemos aquela maquiagem, caprichamos nos detalhes e fomos a um lugar que não costumamos ir. Todas as vezes que saímos acabamos indo para os mesmos lugares. Resolvemos INOVAR. No caminho, rumo à inovação, passamos por outras boates e já vimos que o movimento estava fraco em todas elas. Quando chegamos à eleita da noite vimos que a coisa não estava muito diferente, mas... entramos mesmo assim. Assim que entramos resolvemos dar uma conferida no visual e fomos ao toalete. Bem próximo à porta, ainda de longe, vi uma homem lindoooooo, ele era LINDOOOOOOOOOOO mesmo. E imaginem! Quando minha amiga passou por ele tascou um abraço. Não, ela não é nenhuma espécie de mulher arrojada, muito pelo contrário, né amiga? Ela simplesmente conhecia o cara. Não preciso nem falar que desistimos de conferir o visual. Fui apresentada ao cara e nós três demos início a uma conversa. O assunto inicial era saber o motivo de todos os lugares de Recife estarem vazios. Então comentando que tínhamos pensado em ir a Olinda. Sabe o que o cara disse???????? “Olinda é lugar de gente ‘cabeça’”! Pedimos maiores explicações sobre tal denominação, e ele explicou que mulher ‘cabeça’ é aquela descolada, de conversa difícil, etc, etc, etc. Ou seja, mulher não pode e nem deve pensar na balada. E comecei a olhar figura com outros olhos. Vi no sorriso dele que se tratava daqueles homens que pensam não precisar fazer nenhum esforço para ser agradável, educado, cortês. Os homens bonitos, geralmente, acham que ser bonito basta, e não querem perder tempo com conversas e rodeios. O bonitão, ao longo da noite, soltou pérolas do tipo: “Só agarro mulher meio bêbada, pois já pula a etapa de conversar”; “Odeio mulher que não se cuida. Mulher tem que fazer academia sim”; “Mulher não quer homem bonito, quer homem rico”. Olhe, foram tantas as pérolas que prefiro nem recordar. Enchemos o saco e fomos embora! Voltando pra casa eu sugeri darmos uma esticada e fomos a um daqueles lugares batidos, aqueles que sempre vamos. O pub tava bombandooooooo! E quando estávamos dançando um carinha ‘bonitinho’ deu em cima de minha amiga. Conversa vai, conversa vem... Ops! Eles ficaram. O menino era ultra gente boa, ultra agradável. Virou meu amigo de infância; kkkkkkkkkkkkkkkkk!
Pois é, inovar é bom, mas ontem não foi tanto. Principalmente porque a noite começou com um bolo do namorado. Parece que gostamos de sofrer. Se eu já tava derrubada pra quê inventar de arriscar? A gente arrisca quando tá tudo bem, né não? E depois só fortaleci a minha opinião de que beleza não é fundamental, elegância sim. O bonitão da primeira boate foi um dos caras mais deselegantes que já tive o desprazer de conhecer. Chegamos em casa de manhã. Comi um arroz estragado e agora to morrendo de dor no estômago. Kkkkkkkkkkkkkkkkkk. Já tomei um omeprazol. Vou dormir. Ah! Aquele cara é o verdadeiro “bonitinho, mas ordinário”. Tomara que um dia ele leia esse blog!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Por quê???????????


Hoje passei o dia com o coração apertado. Uma agonia sufocante. Por volta das 4 da tarde recebi uma ligação. Mexeu demais comigo. O primeiro impacto foi me sentir uma bruxa, depois fui recobrando a consciência e agora sinto um alívio por me recordar de todo o esforço que fiz.
Ninguém está entendendo nada. Vou falar mais claramente! Se alguém souber a resposta, por favor, avisa. Por que os homens só costumam perceber a nossa importância na vida deles quando a gente já encheu o saco? Tentamos fazer tudo direitinho. Entendemos a pelada com os amigos todos os sábados, aquela coisa de “eu preciso de espaço” típica dos homens (quase fatalmente significa uma cervejada às sextas, em companhia dos colegas e das colegas de trabalho, inclusive aquela boazuda que dá mole a todos), o fato deles nunca perceberem quando aparamos, hidratamos ou mesmo pintamos os cabelos, a maioria deles não gostar de ir ao teatro assistir uma companhia de dança ou assistir um filme do Wood Allen, etc, etc, etc. Entendemos milhares de coisassssssssss! Suportamos uma infinidade de pitis masculinos. É, nos tempos de hoje piti não é um luxo exclusivamente feminino. E vamos seguindo. E continuamos firmes, acreditando no amor, ou melhor, no amor da vez. Não quero fazer apologia à promiscuidade, mas o mundo mudou, e não há mais espaço para as mulheres conformistas, acomodadas, subservientes. Se não está bom a gente tem todo o direito de dar um basta. Falo, com convicção, que não é fácil recomeçar, mas viver na corda bamba é muito pior. Aquele sentimento que dá em todo fim de namoro é monstruoso, aliás, acho que todas nós sentimos aquela angústia desesperadora, né não? E a gente sabe que tá acabando, e a gente também sabe que já fez tudo o que devia e o que não devia, e já estamos praticamente violentando o nosso coração, e vai batendo aquele sentimento de fracasso. Fracassei mais uma vez. Aquele apertão no peito é infalível. Aquela falta de apetite ou aquele desespero por chocolate são sintomáticos e igualmente preocupantes. Realmente só falta verbalizar o final!
E vocês, homens, não achem que somos malvadas e que é fácil terminar um namoro. O problema é que vocês passam o tempo todo pensando que complicamos muito, que adoramos discutir o relacionamento, que as nossas conversas são sempre as mesmas, que não chegam a lugar nenhum... Penso que vocês nos subestimam, e depois... Depois? Calma meninas, eles não voltam atrás assim tão rápido. Eles vão cair na gandaia, agarrar umas periguetes, pular um carnaval fora de época em outra cidade, beber todos os destilados e fermentados do mercado. E aí, são eles que estão se violentando, pois no fim da noite é de nós que eles vão lembrar. Eles voltarão pra casa com um vazio muito maior do que o que eles foram. Mas a espécie chamada ex-namorado só vai te procurar quando você estiver erguida e refeita. Ah! Erguida e refeita não quer dizer namorando com um cara bonito, inteligente e bem sucedido, mas... se a realidade for essa... o ex vai jogar mais pesado que o normal.
Um dia você vai estar no sossego do seu quarto refletindo sobre o céu, a terra, a água e o ar. De repente o telefone toca. Aí existem dois tipos de mulheres: As pragmáticas, bem resolvidas e firmes, que nem atenderão o celular ao perceberem quem liga. As segundas são as sentimentais, emotivas e que pensam carregar o peso do mundo em suas costas, essas, assim como eu, atenderão, escutarão cada palavra dita e chegarão a se sentir umas bruxas.
Bom, o que penso sobre as pragmáticas é que elas não são tão fortes como pensam, pois não atendem por temer suas próprias reações, não conseguirem manter as coisas sob controle. Já as sentimentais escutarão, irão refletir e, por mais que demore elas vão constatar que não estão erradas. O que os dois grupos de mulheres têm que ter em mente é que fizeram tudo o que podiam, entregaram-se, dedicaram-se, erraram também, mas pediram perdão e que tudo tem o seu tempo, não adianta queimar as etapas. Creio veementemente que o que é pra ser meu ninguém tira; nem tempo, nem distância e nem a mulher mais bonita do mundo. Uma separação pode dar certo ou não, e se, depois de algum tempo, aquela angústia de fim de namoro se transformar em saudades, lembranças, recordações, falta, talvez seja um sinal de que o seu final não deu certo, e aí a gente vai ter que correr atrás do prejuízo. Mas se o ex te liga e você se sente pressionada, coagida, com medo, com pavor de sentir toda aquela agonia do namoro novamente talvez seja porque não chegou a hora ou a separação deu certo, e será melhor para os dois continuarem distantes.
Às vezes namoramos anos com um cara e ele nunca disse metade do que ele dirá quando (e se) ele te pedir pra voltar. Você será pintada como uma mulher tão perfeita que nem acreditará se tratar da sua pessoa. Você será a dona de lábios de mel, corpo de violão, sincera, verdadeira, uma mãe perfeita para aqueles filhos que você quis que ele falasse, durante o namoro, desejar ter contigo. Continua a pergunta: POR QUE NO FINAL? A gente praticamente mendigou certos atos, decisões, gestos, palavras, carinhos. E quem garante que esse novo homem, tão maravilhoso, não sumirá na fumaça da rotina retomada? Será que vale? Como eu nunca tive muita sorte no jogo... Nunca arrisquei mais de duas vezes (kkkkkkkkkkkkkk), pois acho que a probabilidade de acertar é mais ou menos como arriscar na loteria, e 3 é demais, convenhamos. Talvez vocês pensem que sou uma pessoa desesperançosa, mas posso garantir que não: Todas as vezes que o amor me chamou eu corri atrás! Eita, olha a música que to ouvindo agora: “Quero dançar com outro par pra variar a dor”. Huahauhauauhauahuahuahuahuahuahuahuahuahua. Seria cômico se não fosse trágico.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ressaca moral!!!!!!!! Ou imoral??????????


Hoje escreverei com a autoridade de quem se sente com aqueeeeela ressaca moral. Ontem fui à formatura de um primo, e eu nem preciso falar muito sobre o clima dessas festas de família, né? E em família grande como a minha... As coisas são ainda mais animadas. Bom, é aquele monte de parente que a gente não vê há um tempão, criança correndo, dez milhões de cumprimentos na chegada, vinte milhões de modelitos para serem analisados (hehehe, utilizei um eufemismo para o ato de CORTAR), muita nostalgia no ar, afinal, essas pessoas são a nossa história, e muita, muita coisa pra contar quando a festa termina.
No começo, todos ainda estão comedidos, as danças são dançadas no ritmo, as escovinhas e penteados estão lindos, maquiagens intactas, os homens todos de terno, as mulheres forçam uma elegância do alto de seus saltos 15, os cumprimentos são polidíssimos, os sorrisos meticulosamente calculados, pois nunca se sabe quando virá uma fotografia, todos conversando em suas panelinhas... Opa! Acabou o primeiro litro de whisky! E com ele também se foram algumas resistências, e todos começam a se liberar, ainda timidamente, mas já é um começo. Agora sim, parece que a festa está começando e as pessoas resolvem entender como é que, de fato, se diverte. As panelinhas já vão se desfazendo, e parece uma dança das cadeiras. Alguns litros de Whisky depois... Pronto! Agora estão todos se abraçando, recordando histórias da infância, revelando sonhos, relatando frustrações, fazendo confissões ou declarações de amor. Ah! Os homens estão todos sem terno e sem gravata, as mulheres descalças e com os olhos pretos da maquiagem desmanchando do suor, todos falando altíssimo, dançando fora do ritmo, comportando-se como carteiros (huahauhauhauhauhahau)!!!!!
E eu, que também sou filha de Deus, não fujo à regra. Bebi, pulei (não dancei simplesmente), tirei a sandália, perdi o brinco, tomei banho de Whisky, furei o pé... E chegou uma hora que eu nem lembro direito o que se passou, sei que estava muito bem cuidada pelo meu irmãozinho mais velho, que também teve que cuidar de minha cunhada. Coitado!!!!! Uma mulher bêbada já é uma merda, imagine duas?
Todavia, a ressaca moral da qual me referi no início desse texto não veio do que fiz na festa. A ressaca moral veio do que eu percebi ontem deixar de fazer durante a vida. Eu pensei que poderia me comunicar mais com minha família que mora longe, e com a que mora perto também. Percebi que a gente precisa de aditivo alcoólico pra se liberar e demonstrar o nosso afeto, ou resolver pequenas desavenças, antipatias (aquela prima que a gente passou a vida toda não suportando, sabe? Virou, de repente, sua melhor amiga). Eu vi que precisei perder a lucidez para recobrar a lógica de viver em família, mais que isso; pra fazer o que eu verdadeiramente gostaria de fazer, ser a Juliana falante, extrovertida, animada! Eu aconselho a todo mundo, ao menos uma vez na vida, participar da festa de formatura de um familiar, é muito bom. Ah! Aconselho também a tomar uma bisnaguinha de epocler e um engov antes, e outro engov depois. Não desejo a ninguém essa dor de cabeça que estou sentindo! O whisky não era falso, viu? Mas o exagero... Ferra tudo!!!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


Hoje eu quero contar uma história um pouco engraçada. Papo denso o tempo inteiro enche o saco, né? Ontem fui ler os meus scraps no Orkut e uma amiga pediu pra que eu não postasse receita de tartaletes no Sopa de Letrinhas. Fiquei morrendo de rir.
Ela ama, ou melhor, amava essa iguaria. O desamor veio do excesso. A pentelha passou uma semana pedindo: “Jú, faz tartaletes pra mim!” E eu, como menina obediente que sou, resolvi atender ao seu pedido. Na geladeira da minha casa havia um pote de doce de leite há mais ou menos um ano (kkkkkkkkkkkkkkkkkkk), então peguei o bendito doce e fui à casa dela realizar seu tão insistente desejo. Quando lá cheguei e percebi o tamanho das forminhas já vi que o negócio não ia dar muito certo. As formas pareciam aquelas forminhas de brigadeiro (aquelas de papel, sabe?), ou seja, minúsculas. Fizemos massa de apenas uma xícara de farinha de trigo, mas mesmo assim o estrago foi enorme. Sabe quantas tartaletes renderam? Umas 200, minha gente. Creiam!!!! Só de olhar aquela infinidade de doces dava enjôo. Ela fez até campanha na porta do elevador do prédio pra oferecer a iguaria aos condôminos, fora um número significativo que ela devorou. Querem saber o resultado? Além do mais obvio, o desarranjo intestinal da garota, ela nunca mais pode ver e nem ouvir falar nessa palavrinha – TARTALETES.
E agora, liberando a Piaf que há em mim, vem a parte densa. Fui refletir, né? Alôôô!!! Pensei que se eu tivesse o poder faria um número exagerado de tartaletes com milhares de outros recheios e distribuiria aos meus amigos, e a todos que precisassem. Faria tartaletes de tristeza, de deslealdade, de infidelidade, de homens sem futuro, de gordurinhas localizadas, de culotes, de cartões de crédito estourados, de fome, de miséria... Faria de sabores de todos os dissabores dessa vida. Dessa forma, a exemplo do efeito sofrido pela minha amiga, ninguém agüentaria nem falar no nome dessas coisas chatas, desagradáveis, tristes.
Também pensei sobre a questão do excesso. Eita coisa ruim é o tal do excesso. Há muito tempo se ouve dizer que “tudo demais é veneno”, mas nós precisamos provar, ver, a gente precisa quebrar a cara, ser convencida. Às vezes uma amiga tenta nos aconselhar sobre determinado assunto e a gente, não por maldade, mas humanidade mesmo, pensa logo: “Ela fala isso porque é uma recalcada. Já quebrou a cara e acha que também vou”. Só que, quase inevitavelmente, essa amiga estará com a razão, e pior, é no ombro dela que iremos chorar as nossas pitangas. Acho que nesse caso acontece o excesso de falta de sorte (kkkkkkkkkkkkkkkkk)!
Pois é, vi que precisamos mesmo é nos deparar com um prato repleto de tartaletes pra poder aprender, pra entender como funcionamos, pra colocar em prática nossa necessidade de desafiar. Desafiar nossos limites, desafiar o que já sabíamos, desafiar a dinâmica das relações, da vida. E que venham mais tartaletes!!!! Desde que não sejam de doce de leite, né amiga?

"sou um coração batendo no mundo"


Escrevi isso no fim do ano passado, em outubro. Foi um mês de violência... uma violência "diferente".


Quando a poeta falou que era um coração batendo no mundo eu me identifiquei muitíssimo, mas hoje em especial, sinto-me um coração sofrendo no mundo. Sei bem o motivo dessa sensação: Foi ter a cruel e fatídica dimensão da fragilidade de nossas vidas, perceber que estamos vivendo num mundo tenso com a enganosa impressão de estarmos habitando a aldeia das liberdades, do desenvolvimento, das democracias, dos progressos. Vivo esperando o próximo ato inaceitável, selvagem, bárbaro de algum ser humano desumano, seja por natureza, índole, seja pela densa carga de conflitos e do vazio que esse mundo das falsas liberdades joga sobre nossas costas. Apavora saber que as próximas vítimas podemos ser nós, nossa família, nossos amigos, nossas crianças. Estou perplexa e essas reflexões me exarem fisicamente, mentalmente. Não tenho mais a ilusão típica dos nossos primeiros anos de vida, a ilusão de que o mundo é perfeito. Vivi estágios; fui do mundo perfeito, ao apenas maravilhoso, ao insosso, ao caótico. Entendi que o mundo é feito pelos seus habitantes e que temos judiado demasiadamente dele. Nossa arrogância fez com que nos sentíssemos donos do planeta, não meros inquilinos. Nossa prepotência fez com que nos sentíssemos a principal forma de vida na Terra, e que tudo gira em torno de nós. Nossa burrice faz com que não respeitemos a natureza e todas as suas formas de vida. Nossa fraqueza nos fez reféns do dinheiro e não seremos felizes se não tivermos o que só ele pode comprar. É justamente aí que o vazio humano só aumenta, é na hora que percebemos que nem o dinheiro pode pagar por certas coisas. Nossa vaidade faz com queiramos ser outros, nos faz esquecer a importância de ser e querer apenas ter; ela é uma das bases dos nossos maiores conflitos. Eu definitivamente não posso e nem quero começar a achar determinados acontecimentos e comportamentos normais, eu não quero me acostumar, eu quero continuar “um coração batendo no mundo”, ainda que seja um coração ferido no mundo, também não busco a perfeição, busco uma imperfeição menos imperfeita. Se for para acostumar que seja com essa dolorida chaga em meu coração.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Barbie x She-ra

Tenho vivido por sonhar. E viver assim parece um tanto perigoso. Viver assim me faz ter plena certeza de que a vida é uma aventura. Uma aventura perigosa, pois não sei bem, muitas vezes, quando se trata de sonho e quando se trata de realidade.
Não me sinto como as pessoas normais. Eu não quero um marido, sonho com um amor. Eu não quero um trabalho, um emprego, eu quero uma paixão. Eu não quero simples amigos, quero verdadeiros irmãos. Eu não quero simplesmente ter um cachorro, eu quero ter um grande amigo de outra espécie. Eu não quero assistir injustiças, eu sonho com um mundo muito melhor. Eu não quero ser quem eu sou, sonho em ser aquela pessoa que jamais decepcionaria ou contrariaria alguém. Eu não quero o que, no momento, é possível e sonho com o que me parece distante, muito distante.
Agora, Deus, por favor, responde-me: Como posso continuar a viver dessa forma? Com essa certeza de não pertencer a esse tempo, a essas coisas, a esse mundo? Vivo atrapalhada, numa falsa alegria, numa falsa felicidade. Pareço até uma Barbie, pois elas já vêm com um sorriso pintado no rosto de fábrica. Sinto que não tive escolha, tenho que aceitar essa condição de menina Barbie. Como se não bastasse ter nascido com esse sorriso pintado no rosto, ainda vim com outros trejeitos, que julgo preconceituosamente pela aparência da boneca, muito peculiares à mesma, ou melhor, a nós, como por exemplo aquele jeitinho calmo, sereno, feminino.
A única vantagem, que assim julgo ser, de parecer-me com a Barbie é a de ser cuidada como uma boneca. Mas aí... Aí complicou! Acabo sempre cuidando, entendendo, ouvindo, ajudando. E passo de Barbie à She-ra num segundo. Enquanto uma vem com um sorriso de fábrica, a outra vem com muita coragem, ela não tem medo de nada e nem chora, acredita? E tenho que me comportar como essa super heroína, não mais como a bonequinha delicada. E se fraquejo? Ah! Se fraquejo todos dizem que não combina comigo, que sou forte, que posso suportar!
Ufa! Como é difícil sonhar, lidar com a vida real, ser a Barbie e simultaneamente ser a She-ra. Ainda me perguntam por que entro em depressão, ou por que tenho pânico, e me dizem que terapia é uma besteira, que rivotril não resolve os problemas. O mundo enche a minha cabeça de questionamentos, esse mesmo mundo, felizmente, deu-me a oportunidade de me instrumentar intelectualmente, e ainda querem que eu haja como uma boa brasileira, aquela que não desiste nunca, sabe? Eu tenho mais é que pensar mesmo, se não ficaria triste e não entenderia os motivos. Quero entender a minha “patologia” e buscar a cura, como boa mulher que sou não paro um segundo de pensar (kkkkkkkkkkkkk).
Tenho o direito de ficar depressiva sim, pois sei o peso que posso suportar. Sinto pânico às vezes porque sou normal, nesse mundo de hoje anormal é quem não sente medo a ponto de sair correndo por aí, ou berrando. Rivotril não resolve os problemas, mas me permite dormir, e depois de pensar tanto e sofrer e temer e chorar, eu tenho o direito a pelo menos uma boa noite de sono, não importa como! Pode ser uma maracujinazinha também, pois é natural, né?
Tudo bem. Chegou o outro dia! Continua tudo na mesma. Mas ontem eu fui quem eu quis; fui à terapia, chorei, escrevi, ouvi música e hoje continuo sonhando, sonhando até que possa acordar, se assim tiver de ser!

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