sábado, 17 de outubro de 2009

Quando o passado ensina a dançar a dança da vida!


Sabe quando o seu coração tá cansado? Quando você resolve que aprendeu, que não vai repetir os erros, mesmo correndo o risco de estar redondamente equivocada? Pois bem, hoje resolvi arriscar, resolvi olhar um pouco para o meu passado e trazer as suas lições para o presente. Sim, como um presente a mim mesma. Como uma obrigação que eu tinha comigo mesma de tentar ser feliz por completo. Nada de mais ou menos. Agora, não recebebo nada inferior a 100%. Confesso não estar pronta para dar em troca, e de igual tamanho, essa dose de entrega e felicidade. Mas juro que ao primeiro sinal de um cara inteiro, forte, disposto a 100%, meus conceitos serão revistos. Eu tinha mania de sonhar, de acreditar que "dessa vez" vai ser diferente, que a tristeza não se abateria sobre mim e a felicidade seria plena. Eu fazia uma espécie de revezamento entre sonhos e planos. Acho que esse era o meu erro. Entendi que "deixar rolar" é o mesmo que arriscar no sofrimento, e principalmente quando o outro também anda desacreditado, judiado, sofrido. Como alguém estando "mais ou menos" pode me fazer feliz? Ou mesmo tranquila, serena, segura? Se deixa rolar quando há pessoas inteiras, resolvidas, sem medos, sem traumas ou um pézinho atrás. O medo alheio vai tolhir a nossa liberdade, a liberdade pra sonhar, e viver sem tal direito seria uma vida "mais ou menos". Não, eu não quero esse tipo de vida. Já sofri demais me entregando a projetos falidos. Continuarei serena, certa de que encontrarei o meu "José", o meu companheiro para neosaldinas, um par para a versão sertaneja de Legião Urbana, um amigo para os problemas, um parceiro para as alegrias. Alguém que depois, mesmo que termine, eu olhe e pense: "Poxa, valeu muito à pena." Porque isso é o fundamental: dar certo enquanto durar, e não durar a vida toda, mesmo não dando certo!!! A sorte está lançada =D

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Novelas do Maneco


Eu queria ser uma personagem de Manoel Carlos. Queria ser riquíssima, linda, viajar de uma ponta a outra do mundo em apenas um capítulo, como quem vai de Recife a Olinda. Tudo bem que a protagonista de suas novelas, a Helena, quase sempre possui uma vida monótona, um homem que não a faz mais feliz e algum drama muito pesado na família. Mesmo assim eu queria. Ao longo dos capítulos, a helena encontra um amor do passado (O Marcos, sempre ele) que está solteiro e cheio de amor para dar, que a venera, que é lindo e maravilhoso, que anda de helicóptero, tem lancha, conversível, seduz qualquer mulher que passar por sua frente com apenas um olhar. Os dramas de família sempre se resolvem, mesmo que seja na delegacia, e nesse contexto a palavra monotonia nem cabe mais, né? Na novela atual, Viver a Vida, a "Helena protagonista" nem com chapinha no cabelo precisa se preocupar, ela é muito natural e aquele cabelão (que na minha opinião é uma moita mesmo) compõe a imagem da boa moça que se aceita exatamente como é, ela é do tipo "bem resolvida". As outras mulheres da novela, que não são a Helena, também vivem seus dramas, são quase sempre mulheres infelizes e insatisfeitas, principalmente com namorados, noivos ou maridos. Bom, algumas resolvem o problema encontrando um gato de parar o trânsito na academia, fazendo fotos sensuais para o amante bem mais jovem, estourando o cartão de crédito no shopping, enchendo a cara e virando alcoólatras (alcoólicas), ficando anoréxicas ou Mulheres que Amam Demais. E o que dizer dos personagens masculinos? Tenho dó dos homens nas mãos de Manoel Carlos, quase fatalmente eles se tornam cornos, e as galhas que eles levam são da mais potente rosca. Não posso deixar de falar das reuniões em casas (mansões) de amigos. Os tais encontros são sempre regados a um bom vinho, falando das viagens internacionais, das fortunas e falências de outros amigos bombadões e da violência no Rio de Janeiro. Ah! Sempre tem uma doméstica entrona, daquelas que dá pitaco em toda conversa, falando de algum caso que ocorreu na sua comunidade. Tem ainda um amiguinho pobre, mas bonito, que sempre termina a novela casando com alguém muito rico, há incontáveis cenas em Copacabana e explorando outros postais da Cidade Maravilhosa. Maneco também adora falar de sonhos -ele deve ser fã de Freud-, de como eles podem se tornar realidade. Mas é dos personagens que sonham muito que sinto mais pena; são os que mais sofrem a novela toda e geralmente perdem alguém muito amado. E assim segue a novelinha nossa de cada dia, toda noite a gente espera um novo capítulo, e toda vez que ele se encerra penso: Será que a vida é tão boa assim? Será que a vida é tão perversa assim? O que sei mesmo é que a gente acaba querendo o cabelo da mulher da novela, o carro do homem da novela, as roupas das meninas da novela, etc, etc, etc. A gente quer a vida da novela, o homem da novela. E o que a gente ganha? Só a tristeza dos personagens mais sofridos da novela. Tristeza por procurar todas essas coisas e nunca encontrar, afinal elas não existem, ou melhor, existem apenas nas novelas do Maneco. Não, não vamos ouvir uma bossa romântica quando dermos o primeiro beijo no ser amado, nem estaremos envolvidos por um cobertor de lã em frente à lareira quando o cara falar eu te amo. Ah! Talvez esse cara nem chegue a falar, e talvez não seja porque ele não ama: Já parou pra pensar que isso pode ser coisa de novela? Não quer dizer que fazer um passeio de fusca ao envés de conversível seja menos interessante, ou que namorar o José, filho do vizinho, seja o fim, já que ele não é o Zé(José) Mayer. E eu tava brincando, viu? Não quero ser a Helena do Maneco. Sou feliz enquanto Juliana. Tenho vivido boas doses de dramas, desamores, tristezas. Mas também tenho provado o lado bom da coisa. Já provei, inclusive, o amor (ou a paixão), e foi bom enquanto durou, e sei que ainda há muitas surpresas reservadas pra mim. Eu não preciso esperar que a minha vida seja como na novela. É, estou satisfeita. Mesmo dando chapinha no cabelo e esperando o meu Zé, que pode ser o filho do vizinho. Aliás, nem pelo filho do vizinho posso esperar: Seu Gilvan não tem um filho José. Mas pra não dizer que o Maneco só dá bola fora... Lembrei de uma Helena que conheço e é feliz. Minha Tia Lena, né Tia? E um José que é o máximoooo: Painho - kkkkkkkkkkkkkk. Aguardem as emoções dos próximos capítulos!!!

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